Inflação mensal, acumulada no ano, em 12 meses e no período: quais são as diferenças?
Entenda as quatro formas de acompanhar a inflação, por que as taxas são compostas e qual período usar em cada comparação.

Inflação mensal, acumulada no ano, acumulada nos últimos 12 meses e acumulada no período selecionado são quatro formas de observar o mesmo movimento de preços em janelas diferentes. A taxa mensal mostra o passo mais recente; o acumulado no ano acompanha o caminho desde janeiro; o acumulado em 12 meses mantém uma janela móvel; e o acumulado no período mede toda a variação entre as datas escolhidas pelo usuário.
Inflação mensal: o movimento mais recente
A inflação mensal compara, de acordo com o período de coleta do índice, os preços de uma cesta de produtos e serviços com os preços observados no período anterior. Se o resultado de junho é 0,40%, isso significa que o nível médio de preços medido ficou 0,40% maior que na base de comparação do mês anterior.
Essa taxa é útil para identificar mudanças recentes: uma alta de energia, uma queda de alimentos ou um reajuste de transporte pode aparecer com rapidez. Ao mesmo tempo, um único mês costuma ser mais sujeito a oscilações sazonais e eventos pontuais. Por isso, ele não deve ser tratado sozinho como retrato de uma tendência longa.
Se a taxa cai de 0,80% para 0,30%, os preços ainda aumentaram em média; apenas subiram em ritmo menor. Para haver queda média no mês, a taxa precisa ser negativa.
Acumulado no ano: de janeiro até o mês de referência
O acumulado no ano começa em janeiro e cresce à medida que novos meses são incorporados. Em março, reúne janeiro, fevereiro e março. Em junho, cobre os seis primeiros meses. Quando chega dezembro, coincide com a inflação do ano-calendário completo.
Essa medida é especialmente útil para acompanhar o que aconteceu no ano corrente, comparar a evolução com o mesmo ponto de anos anteriores e verificar quanto os preços já variaram desde o início de janeiro. Seu tamanho, porém, depende da quantidade de meses já transcorridos: o acumulado em fevereiro e o acumulado em novembro não cobrem horizontes equivalentes.
Acumulado nos últimos 12 meses: uma janela que se desloca
O acumulado nos últimos 12 meses reúne o mês de referência e os 11 meses anteriores. Em junho de 2026, por exemplo, a janela vai de julho de 2025 a junho de 2026. Quando julho de 2026 entra no cálculo, julho de 2025 sai. Esse movimento é chamado, informalmente, de efeito da janela ou efeito-base.
Por manter sempre a mesma extensão, essa taxa facilita comparações ao longo do tempo e reduz a influência de um único mês. Desde 2025, o sistema brasileiro de meta contínua de inflação considera o IPCA acumulado em 12 meses, apurado mês a mês.
Acumulado no período selecionado: uma janela definida por você
Essa leitura reúne todas as variações mensais entre o início e o fim escolhidos na calculadora. Se o período vai de janeiro de 2021 a junho de 2026, o resultado mostra quanto a cesta variou ao longo de todo esse intervalo, e não apenas no ano corrente ou nos 12 meses mais recentes.
Ela é útil para analisar uma fase específica da vida financeira, acompanhar o aumento de preços desde uma data importante ou comparar períodos mais longos. Como a duração é livre, o resultado deve sempre ser apresentado junto das datas de início e fim: acumulados de extensões diferentes não são diretamente equivalentes.
Por que as taxas mensais não devem ser apenas somadas
As variações são acumuladas de forma composta: cada mês incide sobre o nível de preços resultante do mês anterior. Se os preços sobem 1% em um mês e 2% no seguinte, o acumulado não é exatamente 3%. O cálculo é:
A diferença parece pequena em um exemplo curto, mas cresce quando há mais meses ou taxas elevadas. Na calculadora, o acumulado no ano, nos últimos 12 meses e em todo o período selecionado segue essa composição sucessiva.
Um exemplo com as quatro leituras
Imagine que, em junho, a inflação pessoal mensal tenha sido 0,50%, o acumulado desde janeiro seja 2,80%, o acumulado nos últimos 12 meses seja 5,10% e o acumulado entre janeiro de 2021 e junho de 2026 seja 32,40%. Cada número responde a uma pergunta:
Quanto a cesta variou no movimento mais recente.
Quanto variou desde o começo do ano corrente.
Quanto variou na janela anual terminada em junho.
Quanto variou entre as duas datas escolhidas.
Não há contradição entre eles. Uma taxa mensal baixa pode coexistir com acumulados altos porque essas medidas ainda carregam resultados anteriores. Quanto maior o intervalo selecionado, maior tende a ser a diferença entre o nível de preços inicial e o final, embora meses de queda também façam parte da composição.
Qual medida usar em cada situação
- Use a mensal para observar a pressão mais recente e descobrir quais categorias movimentaram o resultado.
- Use o acumulado no ano para acompanhar o período desde janeiro e comparar o avanço dentro do ano-calendário.
- Use o acumulado nos últimos 12 meses para comparar janelas anuais de mesma duração e enxergar uma trajetória menos dependente de um mês isolado.
- Use o acumulado no período selecionado para medir a variação total entre duas datas relevantes para sua análise, mesmo quando o intervalo atravessa vários anos.
A análise mais completa combina as quatro leituras. A taxa mensal ajuda a entender o movimento recente; os acumulados mostram como esses movimentos se compõem em horizontes diferentes. No gráfico da calculadora, você pode alternar entre as visualizações e acompanhar a trajetória da sua inflação ao lado dos índices oficiais.
Cuidados ao fazer comparações
Compare sempre medidas com a mesma janela. Uma inflação acumulada de janeiro a junho não deve ser confrontada diretamente com um resultado de 12 meses ou de vários anos como se cobrissem o mesmo intervalo. Ao usar o acumulado no período selecionado, confira se a inflação pessoal, o IPCA regional e o IPCA do Brasil começam e terminam nos mesmos meses.
A calculadora apresenta os resultados mensal, no ano, nos últimos 12 meses e em todo o período selecionado ao lado do IPCA regional e do Brasil.
Perguntas frequentes
Em dezembro, acumulado no ano e em 12 meses são iguais?
Sim, porque ambos cobrem janeiro a dezembro do mesmo ano. Nos outros meses, as janelas são diferentes.
O acumulado no período selecionado pode ser igual a outra leitura?
Sim. Se você selecionar de janeiro ao mês atual, ele coincide com o acumulado no ano. Se escolher exatamente os 12 meses terminados no mês de referência, coincide com o acumulado nos últimos 12 meses.
Posso multiplicar a inflação mensal por 12?
Não para obter o resultado efetivo. Isso seria uma anualização simplificada e não substituiria a composição das doze taxas realmente observadas.
Por que o acumulado em 12 meses caiu se houve inflação no mês?
Porque uma taxa antiga maior pode ter saído da janela e sido substituída por uma taxa atual menor. O resultado depende dos doze componentes.
Fontes e leitura complementar
- IBGE Explica — Inflação
- IBGE — Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
- Banco Central do Brasil — O que é inflação
- Banco Central do Brasil — Histórico das metas para a inflação
- SIDRA/IBGE — Tabela 7060
Conteúdo publicado em 4 de agosto de 2026. Revisão editorial baseada nas fontes acima.

